REFLETINDO
Caríssimos irmãos as leituras deste ultimo domingo nos chama
a atenção para o modo como cada cristão deve vivenciar sua prática religiosa na
sinceridade diante de Deus, na humildade e amor para com os outros e não de
forma fria e autossuficiente.
A Lei de Deus indica ao homem o caminho a seguir. Contudo,
esse caminho não se esgota num mero cumprimento de ritos ou de práticas vazias
de significado, mas num processo de conversão que leve o homem a comprometer-se
cada vez mais com o amor a Deus e aos irmãos.
Jesus disse que o que torna o homem impuro não é o que entra
nele, vindo de fora, mas o que sai de seu interior. Pois é de dentro do coração
humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios,
adultérios, Deus olha o interior das pessoas e não as práticas exteriores e
formais.
As ações do homem procedem do coração. E se este estiver
manchado, o homem inteiro fica manchado.
A primeira leitura nos garante que as leis e preceitos de
Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por
isso, recomenda-se insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e
deixe-se guiar por ela.
Outro motivo de crítica é que uma religião, apegada a
preceitos exteriores, torna-se desatenta do coração, sem olhar a intenção com
que se faz e se vive. Caem no fingimento umas religiões meramente exteriores,
sem aquelas atitudes interiores, que são as que importam realmente: “Este povo
me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o
culto que me prestam!” diz Jesus no evangelho de hoje. A atitude exterior
os “lábios” não se encaixa a do interior o “coração”! As práticas externas
valem quando representam sinal de um compromisso interior de amor e conversão
em relação a Deus. É importante observar que Jesus não condena as práticas
exteriores, mas a sua supervalorização e sua atuação sem sinceridade.
A segunda leitura deste domingo nos convida a escutar e
acolher a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no
coração tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade
com o mundo e com cada cristão.
“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”
(Mt 5,8).
Sozinhos não somos capazes de purificar nosso coração das
intenções más e de nos abrirmos de modo justo devemos confiar-nos, à força
redentora de Cristo que se torna operante em nós, na Eucaristia.
No mês da Bíblia, intensifiquemos a leitura, a meditação, da
Palavra de Deus! Que possamos acolhê-La e colocá-La em prática! Ensina São
Tiago: “Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós
mesmos” (Tg 1,22). Assim como ensinava S. Francisco de Assis: “O homem vale o
que é diante de Deus e nada mais.” Jesus desloca todo o sentido da lei do
exterior para o interior, da boca para o coração, de “fora” do homem para
“dentro” do homem, relembrando uma expressão de Isaías: “Este povo me honra com
os lábios, mas seu coração está longe de mim."(Mc 7,6)
A Palavra de Deus que escutamos e que acolhemos no coração
deve conduzir-nos à ação. Se ficarmos apenas pela escuta e pela contemplação da
Palavra, ela torna-se estéril e inútil. É preciso transformar essa Palavra que
escutamos em gestos concretos, que nos levem à conversão e que tragam um
acréscimo de vida para o mundo. A Palavra de Deus que escutamos tem de nos
levar ao compromisso à luta pela justiça, pela paz, pela dignidade dos
nossos irmãos, pelos direitos dos pobres, por um mundo mais fraterno e mais
cristão.
Billy Santos

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