segunda-feira, setembro 03, 2012

REFLEXÃO LITÚRGICA PARA SEMANA


REFLETINDO

Caríssimos irmãos as leituras deste ultimo domingo nos chama a atenção para o modo como cada cristão deve vivenciar sua prática religiosa na sinceridade diante de Deus, na humildade e amor para com os outros e não de forma fria e autossuficiente.
A Lei de Deus indica ao homem o caminho a seguir. Contudo, esse caminho não se esgota num mero cumprimento de ritos ou de práticas vazias de significado, mas num processo de conversão que leve o homem a comprometer-se cada vez mais com o amor a Deus e aos irmãos.
Jesus disse que o que torna o homem impuro não é o que entra nele, vindo de fora, mas o que sai de seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, Deus olha o interior das pessoas e não as práticas exteriores e formais.
As ações do homem procedem do coração. E se este estiver manchado, o homem inteiro fica manchado.
A primeira leitura nos garante que as leis e preceitos de Deus são um caminho seguro para a felicidade e para a vida em plenitude. Por isso, recomenda-se insistentemente ao seu Povo que acolha a Palavra de Deus e deixe-se guiar por ela.
Outro motivo de crítica é que uma religião, apegada a preceitos exteriores, torna-se desatenta do coração, sem olhar a intenção com que se faz e se vive. Caem no fingimento umas religiões meramente exteriores, sem aquelas atitudes interiores, que são as que importam realmente: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam!” diz Jesus no evangelho de hoje.  A atitude exterior os “lábios” não se encaixa a do interior o “coração”! As práticas externas valem quando representam sinal de um compromisso interior de amor e conversão em relação a Deus. É importante observar que Jesus não condena as práticas exteriores, mas a sua supervalorização e sua atuação sem sinceridade.
A segunda leitura deste domingo nos convida a escutar e acolher a Palavra de Deus; mas avisa que essa Palavra escutada e acolhida no coração tem de tornar-se um compromisso de amor, de partilha, de solidariedade com o mundo e com cada cristão.
“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).
Sozinhos não somos capazes de purificar nosso coração das intenções más e de nos abrirmos de modo justo devemos confiar-nos, à força redentora de Cristo que se torna operante em nós, na Eucaristia.
No mês da Bíblia, intensifiquemos a leitura, a meditação, da Palavra de Deus! Que possamos acolhê-La e colocá-La em prática! Ensina São Tiago: “Sede praticantes da Palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1,22). Assim como ensinava S. Francisco de Assis: “O homem vale o que é diante de Deus e nada mais.” Jesus desloca todo o sentido da lei do exterior para o interior, da boca para o coração, de “fora” do homem para “dentro” do homem, relembrando uma expressão de Isaías: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim."(Mc 7,6)
A Palavra de Deus que escutamos e que acolhemos no coração deve conduzir-nos à ação. Se ficarmos apenas pela escuta e pela contemplação da Palavra, ela torna-se estéril e inútil. É preciso transformar essa Palavra que escutamos em gestos concretos, que nos levem à conversão e que tragam um acréscimo de vida para o mundo. A Palavra de Deus que escutamos tem de nos levar ao compromisso  à luta pela justiça, pela paz, pela dignidade dos nossos irmãos, pelos direitos dos pobres, por um mundo mais fraterno e mais cristão.

Billy Santos

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