sábado, junho 07, 2014

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

Estes dons são graças de Deus e, só com nosso esforço, não podemos fazer com que cresçam e se desenvolvam. Necessitam de uma ação direta do Espírito Santo para podermos atuar dentro da virtude e perfeição cristã.
É a manifestação do Espírito Santo no crente, capacitando-o com poder para realizar uma tarefa segundo a vontade de Deus. A palavra “dons” vem do grego “charismata”, derivada da palavra “charis” que significa “graça.” São, portanto, dons pela graça de Deus e não algo que conseguimos ou merecemos.
Os dons espirituais são de grande valor e merecem um cuidadoso estudo bíblico para se evitar desordens na igreja que afete sua unidade. Efésios 4.12-15 lemos sobre os propósitos dos dons os quais são:
  • Capacitar ou aperfeiçoar os santos
  • Promover a obra do ministério
  • Edificar o Corpo de Cristo. (A igreja).
No Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, reside o Amor Supremo entre o Pai e o Filho. Foi pelo Divino Espírito Santo que Deus se encarnou no seio de Maria Santíssima, trazendo Jesus ao mundo para nossa salvação. Peçamos à Maria, esposa do Espírito Santo, que interceda por nós junto a Deus concedendo-nos a graça de recebermos os divinos dons, apesar de nossa indignidade, de nossa miséria. Nas Escrituras, o próprio Jesus quem nos recomenda: "Pedi e se vos dará. Buscai e achareis. Batei e vos será aberto" (Mt VII, 7s).
Os dons espirituais também proporcionam um conhecimento mais profundo de Cristo, e de toda a riqueza espiritual disponível para desempenho da missão que ele tem em nossa vida. Segundo a Palavra de Deus, conforme 1 Co 12.8-10 os dons do Espírito Santo são 9 e podem ser assim classificados:

1. DONS DE REVELAÇÃO (saber) – palavra de sabedoria, palavra de ciência e discernimento de espíritos.
2. DONS DE PODER (fazer): fé, cura e operação de milagres.
3. DONS DE INSPIRAÇÃO (falar): profecia, variedades de línguas.

1. DONS DE REVELAÇÃO

1.1 Palavra de sabedoria – É saber o que falar em determinada ocasião (solucionar um problema específico)é um fragmento da sabedoria divina dada ao crente. Não se trata de conhecimento humano ou inteligência. Exemplo: José Gn 41.38,39; Salomão e as duas mães. 1Rs 3.16-28, Josué Dt 34.9

1.2 Palavra de ciência (conhecimento) – É uma revelação do que está acontecendo no momento. Não se trata de adivinhação, fenômeno psíquico ou telepatia e nem resultado de um profundo estudo teológico. Através desse dom a igreja tem acesso a fatos a respeito de pessoas, circunstâncias e de verdades bíblicas. É a penetração na ciência de Deus. Ef 3.3. Exemplo: Eliseu 2 Rs 6.12; Aias 1 Rs 14.1-6; Em Atos 20.23 O Espírito Santo revelava a Paulo o que ia acontecer.

1.3 Discernimento de espíritos – É uma percepção sobrenatural para conhecer a natureza de uma atividade espiritual. Serve para combater as imitações, enganos e falsificações. (Ap 2.2; 1 Tm 4.1-4). Exemplos: o caso de Ananias e Safira (At 5.1-11), Elimas, o mágico (At 13.6-12) e da jovem possessa (At 16.17,18) Esse dom serve como um antídoto contra as heresias dos falsos mestres.

2 DONS DE PODER

2.1 O dom da fé – E a confiança em Deus de um modo sobrenatural. Manifesta-se somente em ocasiões especiais. Este dom movimenta os dons de cura e operação de milagres. (Mt 17.20) Ele(a) sabe que Deus vai fazer o impossível, inclusive quando outros crentes ao seu redor não crêem. Esta fé dá autoridade diante de problemas como ocorreu com Josué. (Js 10.12) Elias (1Rs 18.33-35) Estêvão (At 6.8)

2.2 Cura – É uma solução divina para amenizar o sofrimento humano. Todas as enfermidades estão sujeitas a cura divina. (Mt 10.8; Lc 4.18 19); O sacrifício de Cristo trouxe-nos perdão, libertação e cura ( Is 53.4,5; Mt 8.16,17) . Ele delegou aos seus discípulos poder para curar enfermos em seu nome. (Lc 10.9,17; At 3.6,16; 9.34; At 19.11,12)

2.3 Operação de milagres (maravilhas) – É uma operação de poder que ultrapassa as leis naturais. Exemplo:Ex 15.21,22 – a travessia do Mar Vermelho; Mt 8.26 - Jesus acalma a tempestade; Jo 11.43 - A ressurreição de Lázaro. A operação deste dom gera confiança e autoridade especial. (Mt 8.27)

3. DONS DE INSPIRAÇÃO

3.1 Profecia – O objetivo deste dom é falar aos homens em nome de Deus. Não pode ser confundida com pregação embora a pessoa possa profetizar enquanto prega. Seu objetivo é a edificação da igreja e está sujeito ao julgamento da mesma. Não é adivinhar a sorte, prever o futuro ou tornar realidade o desejo de alguém. (Ez 13.3). Todos podem profetizar, porém no culto apenas dois ou três devem profetizar. Nunca devem profetizar ao mesmo tempo para não afetar a ordem do culto. (1 Co 14.26-33) Toda profecia que contraria o ensino das Escrituras deve ser classificada como falsa, razão pela qual as profecias devem ser julgadas. (1 Co 14.1-40)

3.2 Variedade de línguas – As línguas estranhas como sinal são dirigidas a Deus são ilimitadas. O dom de variedades de línguas é dirigido à igreja e não é dado a todos que são batizados no Espírito Santo. Tudo depende da soberania, do propósito e da vontade do Espírito Santo. (1Co 12.11) Tem que ser acompanhado de interpretação e é equivalente a uma profecia. O dom de interpretação não existe sozinho. Serve para explicar o que foi dito em línguas. Não é uma tradução lingüística, pois a linguagem não é lógica. Veja 1 Coríntios 14.
Observações: 1. Dons espirituais e fruto do Espírito Santo Dons e Fruto ambos denotam a habitação do Espírito, mas os dois não são a mesma coisa, os propósitos diferentes. Os dons são serviços para serem prestados aos outros, enquanto que o fruto do Espírito Santo são traços característicos da pessoa de Cristo implantado no crente mediante a obediência à Palavra.

2. Dons espirituais e Talentos Que diferença há entre um dom espiritual e um talento? Todos nós nascemos com certos talentos, ou seja, habilidades naturais para realizar muitas tarefas na igreja.  Um professor secular ao se converter pode se tornar “espiritual” e assim ganha a capacidade para ministrar para a igreja com o mesmo talento, mas os dons do Espírito Santo são sobrenaturais. Através dos dons espirituais o mundo há de reconhecer que Deus está no meio dela. Primeiramente Deus opera em nós o novo nascimento espiritual (que são evidenciados pelo fruto do Espírito que é a conversão) e através do batismo no Espírito Santo podemos receber os dons espirituais.

3. Manifestações Conforme 1 Coríntios 12:7 o dom espiritual é uma “manifestação do Espírito.” Então eles são manifestados e não que tenhamos controle sobre eles, pois afinal o Espírito Santo é soberano. Para concluir, o exercício dos dons espirituais demonstra em suma, como o Espírito Santo é visto. Uma das maiores bênçãos que podemos desfrutar é quando os membros de uma igreja exercitam os dons uns para com os outros. Um dom espiritual não é apenas uma habilidade para servir, ele é um canal pelo qual o Espírito Santo ministra ao corpo. E fazendo parte da como igreja, como o corpo de Cristo, torna-se um grande privilégio Deus escolher ministrar ao Seu povo através de nós. É simplesmente incomparável.
“Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos.” (2 Timóteo 1.6)


domingo, junho 01, 2014



REFLEXÃO PARA SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR
“ Vou subir para Meu e vosso Pai, Meu e vosso Deus”  (Jo 20,17)

Caríssimos irmãos hoje celebramos a ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo os últimos momentos de Jesus junto aos apóstolos e a volta de Cristo ao Pai… É a sua entrada oficial na glória que lhe correspondia como ressuscitado, depois das humilhações do Calvário; é a volta ao Pai anunciada por Si no dia de Páscoa; “ Vou subir para Meu e vosso Pai, Meu e vosso Deus”  (Jo 20,17). E aos discípulos de Emaús: “Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?” (Lc 24,26).
No dia da Ascensão do Senhor, o cristão percebe que no seu coração há um duplo movimento: o primeiro, olhar para o céu; o segundo, olhar para a terra.
Hoje contemplamos umas mãos que abençoam o último gesto terreno do Senhor (cf. Lc 24,51). Ou algumas pegadas marcadas numa colina o ultimo sinal visível da passagem de Deus pela nossa terra. Em algumas ocasiões, representa-se essa colina como uma rocha, e a pegada de suas pisadas ficam gravadas não sobre a terra, mas na rocha. Como que aludindo àquela pedra que Ele anunciou e que rapidamente será selada pelo vento e pelo fogo do Pentecostes. A iconografia emprega desde a antiguidade esses símbolos tão sugestivos. E também a nuvem misteriosa sombra e luz ao mesmo tempo que acompanha tantas teofanias já no antigo testamento. O rosto do Senhor nos deslumbraria.
Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28, 18). Toda a autoridade. Ir a todas as gentes e ensinar a guardar tudo, e Ele estará com eles com a sua Igreja, conosco todos os tempos (cf Mt 28,19-20). Esse “todo” retumba através do espaço e do tempo, afirmando-nos na esperança.
A vida de Jesus na terra não termina com a sua morte na Cruz, mas com a Ascensão aos céus. É o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o mistério pascal. Convinha que os que tinham visto Cristo morrer na Cruz, entre os insultos, desprezos e escárnios, fossem testemunhas da sua exaltação suprema.
Nós olhamos para o céu porque pensamos na glória de Cristo, contemplando-a na fé. Vemos no Cristo glorioso que sobe à direita do Pai toda a humanidade, a nossa humanidade. A natureza humana nunca tinha sido presenteada com tão grande dádiva, nem mesmo quando, depois de criada, tinha sido sobrenaturalmente elevada.
A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas que são do alto. Agora a nossa esperança é muito grande, pois o próprio Cristo foi preparar-nos uma morada.
Nessa semana, que precede a Solenidade de Pentecostes, fiquemos unidos em oração, como disse Jesus: “Permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto” (Lc 24,48). Assim a vida da Igreja não começa com a ação, mas com a oração, junto com Maria, a Mãe de Jesus.
Irmãos e irmãs! Elevemos o olhar para o céu: à Direita do Pai, Deus como o Pai, encontra-se o homem Jesus, nosso irmão, um de nossa raça. Ele é o objetivo para o qual se dirigem a nossa existência e a historia humana, ele é o nosso Juiz, ele é o nosso Intercessor! Que nossa vida, neste mundo que passa, seja cheia do gosto da eternidade, porque nele, nossa esperança é certíssima!
A festa de hoje fortalece  nossa  esperança no destino que nos aguarda, mas também nos faz lembrar  a nossa missão,  que é continuar o projeto de Jesus, Não fiquemos de braços cruzados, parados, olhando para o Céu! É hora de olhar ao nosso redor e começar a Missão! Amém!

sábado, maio 31, 2014

REFLEXÃO PARA O ENCERRAMENTO DO MÊS MARIANO
Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de meu Senhor“? (Lc 1,43)

Irmãos e irmãs, chegamos a mais um termino do mês mariano, grande caminhada durante todo este mês, rezamos juntos o Santo Rosário, percorremos os acontecimentos do caminho de Jesus, nossa salvação, e dividimos com aquela que com sua mão segura nos conduz ao seu Filho Jesus.
Hoje celebramos a Festa da Visitação de Maria a sua prima Isabel. Meditemos este mistério que mostra como Maria enfrenta o caminho de sua vida com grande realismo, humanidade e concretude. Três palavras sintetizam o comportamento de Maria: escuta, decisão e ação. Palavras que indicam um caminho, também para nós, diante do que o Senhor nos pede na vida. Escuta, decisão, ação. Ao longo desses dias, nossa casa de forma bem especial, temos nos dedicado de forma bem amorosa a prestar nossas homenagens àquela que por excelência fora escolhida por Deus e dada a cada um de nós como modelo de disposição, de auxilio em nossas dores e alegrias da caminhada que hoje trilhamos para fazer a vontade Daquele que é o sentido da vida dessa amorosa mãe.
Jesus que sabe fazer todas as coisas de modo tão perfeito, nos entregou Maria como Mãe, e na maioria das vezes por causa de nosso orgulho e prepotência achamos e julgamos que ele errou quando fez esse gesto, não aceitando esse presente tão valioso que é Maria para nós e para nossa Igreja. É triste ver um filho rejeitar sua mãe. Mas amados uma coisa é certa mesmo que digamos não aceitamos Maria como nossa Mãe, mesmo se a rejeitarmos por causa de nosso orgulho, mas ela continuará sendo a nossa MÃE, pois a palavra de Deus não volta para o céu sem antes dar seus frutos. Não tenha medo de Maria, não tenha medo de Nossa Mãe, de Nossa Senhora, pois sendo ela mãe de nosso Senhor, ela é Mãe também de nos seus filhos adotivos. Aqueles que não têm Maria em suas vidas, pode acreditar, tem um grande vazio dentro de si. Deus abençoe a todos nós. E que Maria nos leve ao seu filho muito amado. Centro de toda nossa existência.
Tudo o que aconteceu na vida de Maria se deu por meio de uma vivencia profunda de oração, essa era pra ela um meio de se deixar tomar pelo amor de Deus que cria e recria todas as coisas de forma plena e verdadeira. A atitude de Maria diante desse foi sempre de humildade, por isso Ele a fez grande e lhe confiou muito, pois ele mesmo não diz que: se formos fieis no pouco ele nos confiara muito mais? Com Maria não foi diferente. Ela vivia uma intensa vida de oração, foi nesta que ela pode dar-se a Deus primeiramente para que este lhe manifestasse o seu plano de amor. Maria, na anunciação, na visitação, nas bodas de Caná, vai contra a corrente. Maria vai contra a corrente. Ela se coloca à escuta de Deus, reflete e procura compreender a realidade e decide confiar totalmente em Deus. Decide visitar, embora estivesse grávida, sua parente idosa. Decide confiar no Filho, com insistência, para salvar a alegria das núpcias.
A ação de Maria é uma consequência de sua obediência às palavras do Anjo, mas unidade à caridade. Ela vai até Isabel para ser-lhe útil. Esta sua saída de casa, de si mesma, por amor, carrega o que tem de mais precioso: Jesus. Ela carrega seu Filho. Às vezes, também nós paramos para escutar, para refletir o que devemos fazer, talvez até tenhamos clara a decisão que devemos tomar, mas não passamos a ação, tampouco colocamos em jogo nós mesmos, ao agir depressa em relação aos outros, para levar-lhes a nossa ajuda, a nossa compreensão, a nossa caridade.

Apesar de tudo, hoje em dia, a maternidade não é devidamente valorizada. Frequentemente colocam-se em primeiro lugar outros interesses superficiais, que são manifestação de comodidade e de egoísmo. As possíveis renúncias que comporta o amor paternal e maternal, assustam a muitos matrimônios que, talvez pelos meios que receberam de Deus, devessem ser mais generosos e dizer “sim” mais responsavelmente a novas vidas. Muitas famílias deixam de ser “santuários da vida”. Por fim amados, posso encerrar essa simples reflexão convidando-os a renovar a entrega de sua vida, de nossas vidas nas mãos de Maria. Confiantes de que Ela nunca ira nos afastar de seu Filho tão amado e querido. Maria não quer a gloria para si mesma, ela é humilde e reconhece que só Deus é digno de todo louvor e adoração. Jesus AMOU E AMA Maria como Mãe, e por nos amar nos confiou o seu mais precioso tesouro que foi a vida de Maria, quando disse a João “Eis ai tua Mãe”, e Esse a acolheu a partir dali, como grande alegria. Para levarmos nós mesmos, como Maria, o que temos de mais precioso e o que recebemos: Jesus e o seu Evangelho, mediante a Palavra e, sobretudo, mediante o testemunho concreto de nossa ação. Amém.

quinta-feira, maio 29, 2014

OS DOGMAS MARIANOS


 Os 4 Dogmas Marianos

“Magnificat anima mea Dominum Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo. Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes. Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius. Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum. Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui. Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles. Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes, Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ, Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.”

Maria é um quadro ou um espelho?
Antes de tratarmos sobre os dogmas marianos faço questão de expor em poucas palavras, alguns conceitos que precisamos meditar.

Nossa Senhora é nossa intercessora, nossa mãe, medianeira das graças e tantos outros maravilhosos títulos consagrado à aquela que gerou nosso Divino Salvador. Mas muitas vezes somos indagados pelo pietismo popular, a cantar os louvores de Maria, mas nos esquecemos do mais belo que é imitar á Maria.
Damos louvores à Virgem, como expressa no seu canto, o Magnifica “as gerações hão de me chamar bendita”, mas antes dos seus louvores que são dignos e é a hiperdulia, devemos busca a sua imitação, pois assim seus louvores passam ser muito mais dignos e frutuosos e não olharemos a Virgem como um quadro lindo, mas como um espelho à imitar.
Maria a Nova Eva predestinada por Deus.
O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a vida. (LG 56)
Os quatro dogmas marianos, constituem verdades de fé, ou seja, são inquestionáveis o que difere de outros títulos da piedade popular ou de aparições privadas em que o fiel, pode ou não acreditar.

MARIA MÃE DE DEUS

A partir do século III começaram a surgir algumas heresias que negavam a divindade de Cristo, sob influência do gnosticismo.  A Igreja se pronunciou dizendo primeiramente que Jesus era filho de Deus por natureza e não por adoção. (Concilio de Antioquia).
No Concilio de Niceia ano de 325, ainda combatendo as heresias tais como o arianismo, que professava que Cristo nasceu do nada e de outra substancia, a Igreja professou que Jesus é consubstancial ao Pai. Também o herético Nestório, que via em Cristo uma pessoa humana, unida a pessoa divina, em que São Cirilo de Alexandria vai combater no terceiro Concilio de Éfeso em 431 afirmando, que “a humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida.” Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou, com toda a verdade. Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio:  Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne. (DS 251)
Outras heresias ainda foram levantadas sobre a divindade de Cristo e sua humanidade, como os monofisistas, que diziam que a humanidade de Jesus, foi suprimida por sua divindade, a que o Concílio de Calcedónia em 451, proclamou:
Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, semelhante a nós em tudo, menos no pecado: gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.
Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase. ( DS 301-302)
Ainda surgiram outras heresias, questionando, ora a divindade, ora a natureza, mas o que vemos a Igreja definindo que Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem e Maria mãe de Jesus, logo ela é Mãe de Deus.
Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? (Lc 1, 41-43)
Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus (Theotokos) (DS 251)

MARIA SEMPRE VIRGEM

Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. (Is 7,14)
Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. (Lc 1, 34-35)
Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. (Mt 1,20)
O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal da sua Mãe. (CIC 499)

Em outubro de 649, o Concílio do Latrão chegou a esta definição de fé: “Seja condenado quem não professar, de acordo com os santos Padres, que Maria, mãe de Deus em sentido próprio e verdadeiro, permaneceu sempre santa, virgem e imaculada quando, em sentido próprio e verdadeiro, concebeu do Espírito Santo, sem o concurso do sêmen de homem, e deu à luz Aquele que é gerado por Deus Pai antes de todos os séculos, o Verbo de Deus, permanecendo inviolada a sua virgindade também depois do parto”.
Na encíclica Redemptoris Mater de João Paulo II “Maria consente na escolha divina para se tornar, por obra do Espírito Santo, a Mãe do Filho de Deus. Pode-se dizer que este consentimento que ela dá à maternidade é fruto da doação total a Deus na virgindade. Maria aceitou a eleição para ser mãe do Filho de Deus, guiada pelo amor esponsal, o amor que consagra totalmente a Deus uma pessoa humana. Em virtude desse amor, Maria desejava estar sempre e em tudo ‘doada a Deus’, vivendo na virgindade. As palavras ‘Eis a serva do Senhor’ comprovam o fato de ela desde o princípio ter aceitado e entendido a própria maternidade como dom total de si, da sua pessoa, a serviço dos desígnios salvíficos do Altíssimo. E toda a participação materna na vida de Jesus Cristo, seu Filho, ela viveu-a até o fim de um modo correspondente à sua vocação para a virgindade.”
No mistério da obra de salvação da humanidade, quis Deus encarna se no seio de uma virgem,  por obra do Espirito Santo, aquele que é Deus de Deus, Luz da Luz... e no seu nascimento sua mãe continua intacta quanto a sua virgindade e permanece virgem em sua vida, ou seja não tem relação conjugal com seu legitimo esposo José, e Jesus é o único filho da família de Nazaré. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens que Ele veio salvar: “Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como "primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe. (LG 63) Os argumentos protestantes que se baseiam nas escrituras em relação aos “irmãos de Jesus”, são tão refutáveis, quanto ridículos no campo da exegese bíblica. Quanto à permanência da virgindade durante o parto, Deus é Luz e a luz é partícula, e consegue atravessar o vidro sem que o mesmo se quebre.

MARIA A IMACULADA CONCEIÇÃO

Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. (Lc 1, 28-30)
Nesta saudação do anjo, que chama Maria de “cheia de graça” encontra se a indentidade de Maria, ela é filha de seu Filho. A saudação do anjo não foi Maria... mas cheia de graça. Ela pelos méritos de Cristo e para a aceitação livre de fé ao anúncio do anjo de sua vocação era preciso estar totalmente sob moção da graça de Deus.
Maria não é para Deus simplesmente uma função, mas antes de tudo uma pessoa, e é como pessoa que é tão cara a Deus desde toda a eternidade. (Raniero Catalamessa)
É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX:
Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição. (DS 670)
Maria foi redimida de uma forma mais sublime por seu Filho, ela é cheia de graça antes mesmo da Encarnação. A santidade de Maria tem também uma característica que a coloca acima de qualquer pessoa do Antigo e Novo Testamento. É uma graça incontaminada. A Igreja Latina a chama de “Imaculada” e a Igreja Oriental  de “Toda Santa” (Panaghia).
Como diz Santo Ireneu, "obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o género humano". Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que "o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé"; e, por comparação com Eva, chamam Maria a "Mãe dos vivos" e afirmam muitas vezes: "a morte veio por Eva, a vida veio por Maria”.
Nas aparições de Nossa Senhora em Lourdes à Santa Bernadete no ano de 1858, apenas quatro anos após o dogma de 1854, quando indagada pela menina de qual era seu nome, ela respondeu: - Eu sou a Imaculada Conceição!

MARIA ASSUNTA AO CÉU

A Assunção de Maria foi o último dogma a ser proclamado, por obra do papa Pio XII, a 1o de novembro de 1950. Na Constituição Apostólica “Munificentissimus Deus”, o Pontífice afirmou que, depois de terminar o curso terreno de sua vida, ela foi assunta de corpo e alma à glória celeste.
Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte. (DS 3903)
 Esse privilégio brilhou com novo fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De fato esses dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente, pela graça, vence também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa. Mas Deus quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria. Por um privilégio inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos. Quando se definiu solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da assunção corpórea da virgem Maria ao céu. (Munificentissimus Deus)
O profeta Elizeu antes de Elias ser arrebatado por uma carruagem de fogo pediu que uma porção redobrada do “espirito” de Elias recaia sobre ele conforme as escrituras.
Tendo passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me algo antes que eu seja arrebatado de ti: que posso eu fazer por ti? Eliseu respondeu: Seja-me concedida uma porção dobrada do teu espírito. (2Rs 2,9)
Quanto mais nós à Virgem devemos pedir que o Espirito que a fez ser cheia de graça, nos faça a imitação de dela, cheios de Maria.
 “Esteja em cada um de nós a alma de Maria para glorificar o Senhor, esteja em cada um de nós o espirito de Maria para exultar em Deus”. (Santo Ambrósio)
O maior fruto de amor a Maria é imitá-la, pois antes de um belo quadro ela é um belíssimo espelho.


terça-feira, abril 16, 2013

SANTO DO DIA


São Benedito José Labre
Mendigo voluntário, peregrinava entre os mais célebres santuários da Europa, sofrendo humilhações e maus tratos.
De família camponesa, São Benedito José Labre era o primeiro de 15 irmãos. Foi chamado de “Vagabundo de Deus” ou ainda “O Cigano de Cristo”. Aos 18 anos, tentou ingressar na Tropa de Santa Aldegonda.
São Benedito José Labre caminhou, então, 60 léguas a pé, tentando em vão a sorte com os monges cistercienses de Montagne na Normandia. Passou algumas semanas na Cartuxa de Neuville, outras tantas na abadia cisterciense de Sept-Fons.
Aos 22 anos, decidiu, fazer-se peregrino e mendigo. Seu mosteiro seria o mundo inteiro. São Benedito José Labre levava consigo o Novo Testamento, a Imitação de Cristo e o Breviário.
No peito, um crucifixo; no pescoço, um terço; e nas mãos, um rosário. Alimentava-se apenas de um pedaço de pão e de algumas ervas, passando a noite ao relento, rezando e meditando.
Em 1770 São Benedito José Labre chegou a Roma, misturou-se aos mendigos. Visitou as principais basílicas, especialmente o Santuário de Loreto, ao qual fez onze peregrinações. Morreu em conseqüência dos maus tratos e da absoluta falta de higiene.
Um açougueiro recolheu-o já agonizante, caído na rua, e o levou para sua casa. Ali o “Mendigo de Deus” morreu. Foi canonizado por Leão XIII em 1883.
Ao falecer em Roma, as crianças espontaneamente saíram gritando pelas ruas: “Faleceu o santo”.
Devoção: À palavra do Evangelho e ao Santo Rosário
Padroeiro: Dos mendigos
São Benedito José Labre: Rogai por nós!

sábado, abril 06, 2013

LITURGIA DOMINICAL



REFLEXÃO PARA O II DOMINGO DA OITAVA DA PASCOA – 07/04/13

 A liturgia deste domingo põe em relevo o papel da comunidade cristã como espaço privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado.
          Hoje é a Oitava da pascoal, e como no Domingo passado, hoje o Senhor vem ao encontro dos seus discípulos e coloca-se no meio deles. Será sempre assim, a cada oito dias os cristãos reunidos experimentarão na Palavra proclamada e no Sacrifício eucarístico celebrado, a presença real, viva e atuante Daquele que ressuscitou e caminha conosco, ou melhor, caminha à nossa frente.
E assim como Tomé, nós, a cada Domingo, exclamarmos: “Meu Senhor e meu Deus!” E emocionados, ouvi-lo novamente dizer a nossa respeito: “Acreditaste porque me viste, Tomé. Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” Bem-aventurados nós, caríssimos meus em Cristo aqui presentes! Bem-aventurados nós que firmemente cremos no Senhor e participamos do seu Sacrifício eucarístico, ainda que não tenhamos visto o Senhor com os olhos da carne!

O primeiro encontro de Jesus ressuscitado com seus discípulos é marcado pela saudação feita por Ele: ‘A paz esteja convosco’. Por duas vezes o Ressuscitado deseja a paz a seus amigos. Em seguida, os envia em missão, soprando sobre eles o Espírito. Buscar e construir a paz é missão dos seguidores do Ressuscitado, pois o Reino de Deus, anunciado e realizado por Jesus e continuado pelas comunidades animadas pelo Espírito, manifesta-se na paz. Reino de Justiça, Paz e Alegria como frutos do Espírito Santo.

Eis precisamente aqui a mensagem deste Domingo, fazer-nos conscientes do nosso encontro, da nossa comunhão real, com o Senhor ressuscitado. Encontro este de modo mais intenso a cada Domingo na Eucaristia, por isso, faltar à Missa dominical é excluir-se da Comunidade dos discípulos, é colocar-se fora da Comunhão com o Ressuscitado e aqueles aos quais ele chama de “meus irmãos”. Este encontro, não começou somente no domingo precisamente na Eucaristia, iniciou-se no nosso Batismo, quando recebemos, no símbolo da água, o Espírito Santo do Ressuscitado, passando a viver nele e seu Espírito, veio realmente viver em nós!

A palavra da segunda leitura, afirma que quem crê em Jesus nasceu de Deus e vive uma vida de amor aos irmãos. Quem crê em Jesus, diz ele, vence o mundo, vence o pecado, vence a tragédia de uma vida sem sentido, distraída apenas com eventos, futilidades e copas do mundo. Eis as suas palavras: “Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” E, então, acrescenta de modo belo, forte, surpreendente e misterioso: “Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue. E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade”.

Todos nós somos chamados a nos aproximarmos da divina misericórdia. Não há casos perdidos para a misericórdia de Deus: “Ainda que a pessoa esteja em decomposição como um cadáver e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração, e tudo já esteja perdido, Deus não ver as coisas dessa maneira. O milagre da misericórdia fará ressurgir aquela pessoa para uma vida plena”.

Por esta razão, a marca registrada deste Segundo Domingo da Páscoa é a , vivida em comunidade, justamente no ANO DA FÉ. É em comunidade que se realiza o encontro com o Ressuscitado e a experiência de uma vida nova.

Caríssimos, se vivamos mergulhados nesse mistério tão grande, que é a real e íntima comunhão com o Senhor ressuscitada, vencedor da morte, somos criaturas nova, então vivamos de modo novo. Como Comunidade dos salvos e redimidos por Cristo, saibamos repartir amor e bens, colocando a vida em comum, e toda a nossa vida comunitária clara a proclamação da novidade, da alegria e da esperança de quem sabe e vive a Ressurreição do Senhor.
Caros meus, aprendamos a nos reaproximar de Jesus! Ele está vivo aqui, na Palavra, na Eucaristia, nos irmãos, na vida. Amém