Os 4 Dogmas Marianos
“Magnificat anima mea Dominum Et exultavit spiritus meus in
Deo salutari meo. Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc
beatam me dicent omnes generationes. Quia fecit mihi magna qui potens est, et
sanctum nomen eius. Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus
eum. Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles. Esurientes implevit bonis et
divites dimisit inanes, Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ
suæ, Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.”
Maria
é um quadro ou um espelho?
Antes de tratarmos sobre os dogmas marianos faço questão de
expor em poucas palavras, alguns conceitos que precisamos meditar.
Nossa Senhora é nossa intercessora, nossa mãe, medianeira
das graças e tantos outros maravilhosos títulos consagrado à aquela que gerou
nosso Divino Salvador. Mas muitas vezes somos indagados pelo pietismo popular,
a cantar os louvores de Maria, mas nos esquecemos do mais belo que é imitar á
Maria.
Damos louvores à Virgem, como expressa no seu canto, o
Magnifica “as gerações hão de me chamar bendita”, mas antes dos seus louvores
que são dignos e é a hiperdulia, devemos busca a sua imitação, pois assim seus
louvores passam ser muito mais dignos e frutuosos e não olharemos a Virgem como
um quadro lindo, mas como um espelho à imitar.
Maria a Nova Eva predestinada por Deus.
O Pai das misericórdias quis que a aceitação, por parte da
que Ele predestinara para Mãe, precedesse a Encarnação, para que, assim como
uma mulher contribuiu para a morte, também outra mulher contribuísse para a
vida. (LG 56)
Os quatro dogmas marianos, constituem verdades de fé, ou
seja, são inquestionáveis o que difere de outros títulos da piedade popular ou
de aparições privadas em que o fiel, pode ou não acreditar.
MARIA MÃE DE DEUS
A partir do século III começaram a
surgir algumas heresias que negavam a divindade de Cristo, sob influência do
gnosticismo. A Igreja se pronunciou dizendo primeiramente que Jesus era filho
de Deus por natureza e não por adoção. (Concilio de Antioquia).
No Concilio de Niceia ano de 325, ainda combatendo as
heresias tais como o arianismo, que professava que Cristo nasceu do nada e de
outra substancia, a Igreja professou que Jesus é consubstancial ao Pai. Também
o herético Nestório, que via em Cristo uma pessoa humana, unida a pessoa
divina, em que São Cirilo de Alexandria vai combater no terceiro Concilio de
Éfeso em 431 afirmando, que “a humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão
a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi
concebida.” Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se
tornou, com toda a verdade. Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho
de Deus em seu seio: Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha
recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado
duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu
segundo a carne. (DS 251)
Outras heresias ainda foram levantadas sobre a divindade de
Cristo e sua humanidade, como os monofisistas, que diziam que a humanidade de
Jesus, foi suprimida por sua divindade, a que o Concílio de Calcedónia em 451,
proclamou:
Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que
se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito
na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e
verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial
ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, semelhante
a nós em tudo, menos no pecado: gerado do Pai antes de todos os séculos segundo
a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da
Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.
Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos
reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem
separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as
propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só
hipóstase. ( DS 301-302)
Ainda surgiram outras heresias, questionando, ora a
divindade, ora a natureza, mas o que vemos a Igreja definindo que Jesus é
verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem e Maria mãe de Jesus, logo ela é
Mãe de Deus.
Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança
estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou
em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde
me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? (Lc 1, 41-43)
Com efeito, Aquele que Ela concebeu como homem por obra do
Espírito Santo, e que Se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne, não
é outro senão o Filho eterno do Pai, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. A
Igreja confessa que Maria é, verdadeiramente, Mãe de Deus (Theotokos)
(DS 251)
MARIA SEMPRE VIRGEM
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem
conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. (Is 7,14)
Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço
homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do
Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti
será chamado Filho de Deus. (Lc 1, 34-35)
Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe
disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela
foi concebido vem do Espírito Santo. (Mt 1,20)
O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a
virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito
homem. Com efeito, o nascimento de Cristo não diminuiu, antes consagrou a
integridade virginal da sua Mãe. (CIC 499)
Em outubro de 649, o Concílio do Latrão chegou a esta
definição de fé: “Seja condenado quem não professar, de acordo com os santos
Padres, que Maria, mãe de Deus em sentido próprio e verdadeiro, permaneceu
sempre santa, virgem e imaculada quando, em sentido próprio e verdadeiro,
concebeu do Espírito Santo, sem o concurso do sêmen de homem, e deu à luz
Aquele que é gerado por Deus Pai antes de todos os séculos, o Verbo de Deus,
permanecendo inviolada a sua virgindade também depois do parto”.
Na encíclica Redemptoris Mater de João Paulo II “Maria
consente na escolha divina para se tornar, por obra do Espírito Santo, a Mãe do
Filho de Deus. Pode-se dizer que este consentimento que ela dá à maternidade é
fruto da doação total a Deus na virgindade. Maria aceitou a eleição para ser
mãe do Filho de Deus, guiada pelo amor esponsal, o amor que consagra totalmente
a Deus uma pessoa humana. Em virtude desse amor, Maria desejava estar sempre e
em tudo ‘doada a Deus’, vivendo na virgindade. As palavras ‘Eis a serva do
Senhor’ comprovam o fato de ela desde o princípio ter aceitado e entendido a
própria maternidade como dom total de si, da sua pessoa, a serviço dos
desígnios salvíficos do Altíssimo. E toda a participação materna na vida de
Jesus Cristo, seu Filho, ela viveu-a até o fim de um modo correspondente à sua
vocação para a virgindade.”
No mistério da obra de salvação da humanidade, quis Deus
encarna se no seio de uma virgem, por obra do Espirito Santo, aquele que
é Deus de Deus, Luz da Luz... e no seu nascimento sua mãe continua intacta
quanto a sua virgindade e permanece virgem em sua vida, ou seja não tem relação
conjugal com seu legitimo esposo José, e Jesus é o único filho da família de
Nazaré. Mas a maternidade espiritual de Maria estende-se a todos os homens
que Ele veio salvar: “Ela deu à luz um Filho que Deus estabeleceu como
"primogénito de muitos irmãos" (Rm 8, 29), isto é, dos fiéis
para cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe. (LG 63) Os
argumentos protestantes que se baseiam nas escrituras em relação aos “irmãos de
Jesus”, são tão refutáveis, quanto ridículos no campo da exegese bíblica.
Quanto à permanência da virgindade durante o parto, Deus é Luz e a luz é
partícula, e consegue atravessar o vidro sem que o mesmo se quebre.
MARIA A IMACULADA CONCEIÇÃO
Entrando,
o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se
ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante
saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de
Deus. (Lc 1, 28-30)
Nesta saudação do anjo, que chama Maria de “cheia de graça”
encontra se a indentidade de Maria, ela é filha de seu Filho. A saudação do
anjo não foi Maria... mas cheia de graça. Ela pelos méritos de Cristo e para a
aceitação livre de fé ao anúncio do anjo de sua vocação era preciso estar
totalmente sob moção da graça de Deus.
Maria não é para Deus simplesmente uma função, mas antes de
tudo uma pessoa, e é como pessoa que é tão cara a Deus desde toda a eternidade.
(Raniero Catalamessa)
É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado
em 1854 pelo Papa Pio IX:
Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em
previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a
bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado
original no primeiro instante da sua conceição. (DS 670)
Maria foi redimida de uma forma mais sublime por seu Filho,
ela é cheia de graça antes mesmo da Encarnação. A santidade de Maria tem também
uma característica que a coloca acima de qualquer pessoa do Antigo e Novo
Testamento. É uma graça incontaminada. A Igreja Latina a chama de “Imaculada” e
a Igreja Oriental de “Toda Santa” (Panaghia).
Como diz Santo Ireneu, "obedecendo, Ela tornou-se causa
de salvação, para si e para todo o género humano". Eis porque não poucos
Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que "o nó da
desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a
virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua
fé"; e, por comparação com Eva, chamam Maria a "Mãe dos vivos" e
afirmam muitas vezes: "a morte veio por Eva, a vida veio por Maria”.
Nas aparições de Nossa Senhora em Lourdes à Santa Bernadete
no ano de 1858, apenas quatro anos após o dogma de 1854, quando indagada pela
menina de qual era seu nome, ela respondeu: - Eu sou a Imaculada Conceição!
MARIA ASSUNTA AO CÉU
A Assunção de Maria foi o último dogma a ser proclamado, por
obra do papa Pio XII, a 1o de novembro de 1950. Na Constituição Apostólica
“Munificentissimus Deus”, o Pontífice afirmou que, depois de terminar o curso
terreno de sua vida, ela foi assunta de corpo e alma à glória celeste.
Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada imune de toda a
mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu
em corpo e alma e exaltada pelo Senhor como rainha, para assim se conformar
mais plenamente com o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da
morte. (DS 3903)
Esse privilégio brilhou com novo
fulgor quando o nosso predecessor de imortal memória, Pio IX, definiu
solenemente o dogma da Imaculada Conceição. De fato esses dois dogmas estão
estreitamente conexos entre si. Cristo com a própria morte venceu a morte e o
pecado, e todo aquele que pelo batismo de novo é gerado, sobrenaturalmente,
pela graça, vence também o pecado e a morte. Porém Deus, por lei ordinária, só
concederá aos justos o pleno efeito desta vitória sobre a morte, quando chegar
o fim dos tempos. Por esse motivo, os corpos dos justos corrompem-se depois da
morte, e só no último dia se juntarão com a própria alma gloriosa. Mas Deus
quis excetuar dessa lei geral a bem-aventurada virgem Maria. Por um privilégio
inteiramente singular ela venceu o pecado com a sua concepção imaculada; e por
esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem
teve de esperar a redenção do corpo até ao fim dos tempos. Quando se definiu
solenemente que a virgem Maria, Mãe de Deus, foi imune desde a sua concepção de
toda a mancha, logo os corações dos fiéis conceberam uma mais viva esperança de
que em breve o supremo magistério da Igreja definiria também o dogma da
assunção corpórea da virgem Maria ao céu. (Munificentissimus Deus)
O profeta Elizeu antes de Elias ser arrebatado por uma
carruagem de fogo pediu que uma porção redobrada do “espirito” de Elias recaia
sobre ele conforme as escrituras.
Tendo passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me algo antes que
eu seja arrebatado de ti: que posso eu fazer por ti? Eliseu respondeu: Seja-me
concedida uma porção dobrada do teu espírito. (2Rs 2,9)
Quanto mais nós à Virgem devemos pedir que o Espirito que a
fez ser cheia de graça, nos faça a imitação de dela, cheios de Maria.
“Esteja em cada um de nós a alma de Maria para
glorificar o Senhor, esteja em cada um de nós o espirito de Maria para exultar
em Deus”. (Santo Ambrósio)
O maior fruto de amor a Maria é imitá-la, pois antes de um
belo quadro ela é um belíssimo espelho.
Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem
conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco. (Is 7,14)O aprofundamento da fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o nascimento de Cristo não diminuiu, antes consagrou a integridade virginal da sua Mãe. (CIC 499)
A Assunção de Maria foi o último dogma a ser proclamado, por
obra do papa Pio XII, a 1o de novembro de 1950. Na Constituição Apostólica
“Munificentissimus Deus”, o Pontífice afirmou que, depois de terminar o curso
terreno de sua vida, ela foi assunta de corpo e alma à glória celeste.


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