terça-feira, janeiro 22, 2013

REFLEXÃO LITURGICA DA MISSA DO TERÇO DOS HOMENS

Homilia para a missa de despedida com o Terço dos Homens
Capela de Santo Antônio

Queridos amigos senhores do Terço

Com o coração cheio de emoção e já de saudades iniciei está missa agora a pouco trazendo na memória tantas outras que aqui celebramos nestes quatro anos de minha estada entre vocês. Deus e os senhores sabem o quanto gostava de celebrar aqui nesta pequena e aconchegante capelinha. Vêm agora em minha memória as festas de Santo Antônio que celebramos a animação, a devoção, a alegria que tomava conta de todos e sobre tudo a participação ativa de cada membro, de suas famílias e de outros membros de pastorais de nossa paróquia. Era como a grande família de Cristo reunida para celebrar os seus louvores na vida de alguém tão querido para nós como o glorioso Santo. Hoje é dia de dizer: obrigado, Senhor, por tantas graças e bênçãos.
Homens do Terço! Assim é denominado o movimento religioso do qual vocês fazem parte. Homens que descobriram o sabor da oração. E de uma oração tão preciosa aos olhos da Igreja. Não são poucas as vezes em que os Santos Padres dirigiram mensagens sobre a oração do terço:

O Papa Leão XIII escreveu: “Quando a seita dos Albigenses - aparentemente paladina da integridade da fé e dos costumes, mas, na realidade, perturbadora e péssima corruptora dela - era para muitos povos causa da grande ruína, a Igreja combateu contra ela e contra as suas infames facções, não com milícias ou com armas, mas principalmente com a força do Santo Rosário, que o patriarca São Domingos propagou, por inspiração da própria Mãe de Deus. Assim, gloriosamente vitoriosa de todos os obstáculos, a Igreja, nessa como em outras tempestades semelhantes, proveu sempre com esplêndido êxito a Salvação de seus filhos”.

O PAPA Leão XIII em uma das suas Encíclicas; escreveu: “Queira Deus - é este um ardente desejo nosso - que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e nas aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxilio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência”.

O PAPA João Paulo II escreveu sobre o Rosário na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae: “ O Rosário da Virgem Maria, que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e sobretudo profundidade, permanece, mesmo no terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a “fazer-se ao largo” para reafirmar, melhor, gritar Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como “ o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), como o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização.
Em sua Alocução de 6(seis) de maio de 1980, ainda falou: “O Rosário, lentamente recitado e meditado- em família, em comunidade, pessoalmente- vos fará penetrar pouco a pouco nos sentimentos de Jesus Cristo e de Sua Mãe, evocando todos os acontecimentos que são a chave de nossa salvação”.

Pio XII, já escrevera em sua Encíclica “Ingruentium Malorum”: “Será vão os esforços de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à Lei do Evangelho. E nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever é, sobretudo conveniente o costume do Rosário em família”.

Paulo VI, nos exorta em sua Encíclica Mens e Maio: “Não deixeis de inculcar com toda a diligência e insistência o Rosário Mariano, forma de oração tão grata a Virgem Mãe de Deus e tão frequentemente recomendada pelos Romanos Pontífices, pela qual se proporciona aos fiéis o mais excelente meio de cumprir de modo suave e eficaz o preceito do Divino Mestre: “Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-á”

O Papa Bento XVI em sua primeira visita ao Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia na Itália afirmou: “esta popular oração mariana é um meio espiritual precioso para crescer na intimidade com Jesus, e para aprender, na escola da Virgem Santa, a realizar sempre a vontade divina. Mas para ser apóstolo do Rosário, é preciso fazer experiência em primeira pessoa da beleza e da profundidade desta oração, simples e acessível a todos. É necessário antes de tudo deixar-se guiar pela mão da Virgem Maria e contemplar o rosto de Cristo: rosto jubiloso, luminoso, doloroso e glorioso. Quem, como Maria e juntamente com Ela, guarda e medita assiduamente os mistérios de Jesus, assimila cada vez mais os seus sentimentos e conforma-se com Ele”.

Eis caríssimos, a importância da oração que os senhores realizam todas as terças nesta capela e acredito todos os dias em suas casas. Mais, mesmo sabendo que na oração do terço nós meditamos os momentos mais fortes da vida de Cristo, se faz necessário unir a oração a leitura e meditação do evangelho para que na Palavra de Cristo a nossa oração encontre apoio.

O evangelho que a pouco ouvimos nos coloca dentro da vida comum e tranquila de Cristo quando está caminhando com seus discípulos e os prepara para missão. De forma natural, ao passar pelo campo de trigo os discípulos sentem fome e colhem algumas espigas para comerem. Os fariseus estão de olho em tudo o que Jesus e seus discípulos fazem. Eles encontram um motivo para censurar o Mestre. Qual? É dia de sábado e pela Lei de Moisés não é permitido colher espigas em dia de sábado, ou seja, não é permitido realizar nenhum trabalho em dia de sábado porque é consagrado ao descanso. Para eles, a atitude dos discípulos é uma ofensa e mais ainda a atitude de Jesus de permitir uma vez que Ele é visto como Mestre. Qual a visão de Jesus? Os discípulos precisam do trigo porque tem fome. Jesus sabe que a fome diminui a capacidade de raciocínio do ser humano e pode leva-lo a praticar atos contrários a Deus para saciar sua fome. Na ideia de Jesus, os discípulos precisam comer porque sentem fome e porque precisam manter-se firmes para a missão. Qualquer lei que impeça o ser humano de ser livre e desrespeite a sua condição de ser humano deve ser relevada em segundo plano. Com Jesus, vivemos agora a Lei da Nova Aliança inaugurada com seu sangue na cruz. Sua ressurreição dá novo significado a vida humana de modo que para nós cristãos não mais guardamos o sábado mais o domingo porque nele fazemos memória da ressurreição de Jesus que é a base principal da nossa fé. Por isso, ele afirma que o Filho do Homem é senhor também do sábado porque o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Qual seria a finalidade da Lei? Ajudar o homem a fazer um encontro com Deus. Se o sábado era reservado para o dia do descanso e do louvor, o homem deveria está em condições para realizar o seu louvor a Deus. Ora, o homem com fome não pode louvar. Para os fariseus, era necessário cumprir a lei a qualquer custo, mesmo que isto viesse a diminuir a capacidade do homem de ser humano. A fome nos leva a isto. É doloroso quando encontramos alguém que passa fome. Basta olharmos para seus olhos e veremos sua dor e sofrimento. Jesus não permitiria que seus discípulos chegassem a esta situação por causa de uma má interpretação da Lei.

Caros amigos, Senhores do Terço, na conclusão desta reflexão quero agora agradecer-lhes pela oração que por mim vocês faziam todas as terças nesta capela. Peço que rezem agora pelo seu novo Pároco que em breve estará aqui em vosso meio. O Pe. Josenildo é um homem simples, humilde, educado, atencioso e um bom pastor. Vocês terão muitas alegrias na convivência com ele. Acolham em seu meio como seu pastor e como um irmão em Cristo que fará parte de suas vidas a partir do dia 02. Quanto a mim, levo-os no coração e lembrarei sempre na oração. Mais uma vez, permitam-me dizê-los: muito obrigado pelo carinho, respeito e amizade. Que Santo Antônio receba sempre as suas orações e as coloque nas mãos de Jesus. Que Maria, a quem o Santo tinha devoção colha os frutos espirituais de sua oração em suas vidas e de suas famílias. Obrigado Santo Antônio por estes amigos. Obrigado senhores do Terço por sua colaboração. Obrigado Senhor, pelo teu amor. Obrigado caros amigos, muito obrigado por tudo. Amém

Pe. Marcelo Protazio.

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