Dia
de Finados: Saudades e Esperança.
Aproxima-se
o dia dedicado de forma especial a oração pelos fies falecidos. Este costume
começou na Abadia de Cluny, França, quando os monges escolheram o dia após a
Festa de Todos os Santos para oferecer.
cerem
orações pelos mortos. No século XIV a Igreja de Roma começou a celebrar,
autorizando depois para todo o mundo católico. Em todas as partes do mundo foi
sendo criadas tradições para o dia de Finados. Em alguns países da América
Central é comum os familiares passarem a noite e dia de finados no cemitério
celebrando festivamente este dia. Para eles, isso é uma forma de se manter em
comunhão com seus entes falecidos. Nestes lugares há uma ligação entre tradição
católica e costumes locais.
Mais,
para a Igreja, o que significa mesmo celebrar o dia de Finados?
Segundo
nosso Catecismo (1021) "a morte põe fim à vida do homem como tempo aberto
ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo". Ela
está desta forma ligada a nossa vida, a nossa realidade humana decaída pelo
pecado. Continua o Catecismo (1022), "cada homem recebe em sua alma
imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular
que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação,
seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de
imediato para sempre". A este Juízo Particular acontecido logo após a
morte, se sucederá no fim dos tempos o Juízo Final com a segunda vinda de
Cristo onde toda a verdade sobre a relação de cada homem com Deus será
desvendada. Este Juízo revelará até as últimas consequências o que um tiver
feito de bem ou deixado de fazer durante a sua vida terrestre, conclui o
Catecismo. (1039).
Nesta
fé, a Igreja proclama que a união nossa que caminhamos nesta terra com aqueles
que já se encontram em Deus não foi rompida nem mesmo com a morte, mas antes é
fortalecida com a comunhão de bens espirituais (LG 49). Observemos o que diz
nossa doutrina quanto a essa comunhão. Ela fala que é comunhão nos bens eternos
e não mais nas realidades deste mundo, como apregoa algumas doutrinas de
religiões pagãs ou revestidas de vernizes cristãos caducos e falsos. Nesta reta
compreensão da fé da Igreja, o dia de Finados surge como momento de saudades e
de esperança. Saudade porque o nosso amor pelos que nos antecede no céu não
diminuiu, mais cresce a cada dia renovando em nós um desejo cotidiano de
reencontrá-los na felicidade eterna e uma esperança nesta felicidade e certeza
na palavra de Jesus quando afirma que "na casa de meu Pai há muitas
moradas" (Jo 14,).
Tornou-se
comum ser questionado por alguém nos velórios se no céu nos encontraremos e
reconheceremos aqueles entes queridos que já partiram. Há um mistério que
envolve esta pergunta ao ponto que nosso próprio Catecismo afirma que
"este mistério de comunhão bem aventurada com Deus e com todos os que
estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação" (1027). O que
deve interessar primeiro é que veremos a Deus "tal qual ele é" (1 Jo
3,2), e que viveremos para sempre com Cristo no qual encontraremos nossa
verdadeira identidade e nosso próprio nome (CIC 1023). Eis qual deve ser nossa
primeira e na verdade, permitam dizer, deve ser nossa única preocupação. Tudo o
que vier depois disto não acrescentará nada a isto.
Assim
sendo, celebremos o dia de Finados na comunhão com nossos irmãos falecidos em
Cristo. Nossa oração será nosso diálogo, nossa fé será nosso consolo. Rezemos,
pois, é desta forma que iremos de fato honrar nosso amor por eles em Cristo.
Amém!
Pe. Marcelo

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