quinta-feira, novembro 01, 2012

Reflexão para o Dia de Finados


Dia de Finados: Saudades e Esperança.

Aproxima-se o dia dedicado de forma especial a oração pelos fies falecidos. Este costume começou na Abadia de Cluny, França, quando os monges escolheram o dia após a Festa de Todos os Santos para oferecer.
cerem orações pelos mortos. No século XIV a Igreja de Roma começou a celebrar, autorizando depois para todo o mundo católico. Em todas as partes do mundo foi sendo criadas tradições para o dia de Finados. Em alguns países da América Central é comum os familiares passarem a noite e dia de finados no cemitério celebrando festivamente este dia. Para eles, isso é uma forma de se manter em comunhão com seus entes falecidos. Nestes lugares há uma ligação entre tradição católica e costumes locais.
Mais, para a Igreja, o que significa mesmo celebrar o dia de Finados?
Segundo nosso Catecismo (1021) "a morte põe fim à vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou à recusa da graça divina manifestada em Cristo". Ela está desta forma ligada a nossa vida, a nossa realidade humana decaída pelo pecado. Continua o Catecismo (1022), "cada homem recebe em sua alma imortal a retribuição eterna a partir do momento da morte, num Juízo Particular que coloca sua vida em relação à vida de Cristo, seja através de uma purificação, seja para entrar de imediato na felicidade do céu, seja para condenar-se de imediato para sempre". A este Juízo Particular acontecido logo após a morte, se sucederá no fim dos tempos o Juízo Final com a segunda vinda de Cristo onde toda a verdade sobre a relação de cada homem com Deus será desvendada. Este Juízo revelará até as últimas consequências o que um tiver feito de bem ou deixado de fazer durante a sua vida terrestre, conclui o Catecismo. (1039).
Nesta fé, a Igreja proclama que a união nossa que caminhamos nesta terra com aqueles que já se encontram em Deus não foi rompida nem mesmo com a morte, mas antes é fortalecida com a comunhão de bens espirituais (LG 49). Observemos o que diz nossa doutrina quanto a essa comunhão. Ela fala que é comunhão nos bens eternos e não mais nas realidades deste mundo, como apregoa algumas doutrinas de religiões pagãs ou revestidas de vernizes cristãos caducos e falsos. Nesta reta compreensão da fé da Igreja, o dia de Finados surge como momento de saudades e de esperança. Saudade porque o nosso amor pelos que nos antecede no céu não diminuiu, mais cresce a cada dia renovando em nós um desejo cotidiano de reencontrá-los na felicidade eterna e uma esperança nesta felicidade e certeza na palavra de Jesus quando afirma que "na casa de meu Pai há muitas moradas" (Jo 14,).
Tornou-se comum ser questionado por alguém nos velórios se no céu nos encontraremos e reconheceremos aqueles entes queridos que já partiram. Há um mistério que envolve esta pergunta ao ponto que nosso próprio Catecismo afirma que "este mistério de comunhão bem aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação" (1027). O que deve interessar primeiro é que veremos a Deus "tal qual ele é" (1 Jo 3,2), e que viveremos para sempre com Cristo no qual encontraremos nossa verdadeira identidade e nosso próprio nome (CIC 1023). Eis qual deve ser nossa primeira e na verdade, permitam dizer, deve ser nossa única preocupação. Tudo o que vier depois disto não acrescentará nada a isto. 
Assim sendo, celebremos o dia de Finados na comunhão com nossos irmãos falecidos em Cristo. Nossa oração será nosso diálogo, nossa fé será nosso consolo. Rezemos, pois, é desta forma que iremos de fato honrar nosso amor por eles em Cristo. Amém!
Pe. Marcelo

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