segunda-feira, janeiro 02, 2012

Homilia da Virada do Ano


Homilia da Solenidade da Santa Mãe de Deus
Matriz de Quipapá 
31/12/11
“Salve, ó Santa Mãe de Deus, vós destes a luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos”

Queridos amigos,
Nas últimas horas deste ano que já chega ao seu término queremos juntos em nossa Igreja Matriz render graças ao bom Deus reconhecendo que tudo começa Nele e para Ele tudo convergi. Nossa voz une-se a multidão de anjos e santos que sem cessar cantam louvores “a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade”. Esse hino, o cantamos a exatos oito dias na celebração do Natal do Senhor, repetimos hoje na conclusão do ano de 2011, olhando com esperança e entusiasmo para 2012 que já bate a nossa porta. Em algumas partes do mundo ele já chegou renovando a esperança de milhões de pessoas que sonham com um futuro sem guerras, mas cheio de paz, sem fome, mas cheio de prosperidade. Queremos nesta prece fazer também nosso esse sonho de um mundo de paz. Para isso, nosso olhar permanece fixo na pequena criança deitada na manjedoura envolta em faixas: é uma pequena e frágil criança, porém um Deus forte; uma criança desamparada de riquezas, porém um salvador rico em misericórdia e bondade.
Com este quadro, o que queremos então para este novo ano? O que pretendemos mudar em nossas vidas? Quais são nossos sonhos? Como iremos realiza-los?
Começando este novo ano nada melhor do que pedir a benção de Deus: “O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti; O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz.” Foi assim que acabamos de ouvir na primeira leitura. No pensamento do povo judeu benção e maldição tem em si mesmas uma força para produzir salvação e desgraça. Fazer descer a benção do Senhor sobre nós significa invocar sobre nós o seu nome para que ele mesmo venha a nós em sinal de salvação. Essa salvação se concretiza em proteger-nos, em ser-nos propício e no dom da paz, isto é, da abundancia de felicidade. Essa benção de Deus quer ser em nossa vida a luz nesse mundo tão cheio de trevas e de falsidades. Quantos não são aqueles que hoje transformaram este dia apenas em mais uma festa que terminará em um simples cansaço na manhã primeira de 2012? Nós, não! Nada de cansaço apenas. Estaremos também cheios de esperança porque colocamos o novo ano também nas mãos de Deus e com ele todos nós. Abençoe-nos, Senhor, e nos guarde. Olhe para nós e nos seja favorável é o que pedimos.
E porque pedimos? Quem nos dá garantias de que Ele nos atenderá? “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito a lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos a Lei e para que todos recebêssemos a Filiação Divina”. Eis a garantia da atenção de Deus. Após longa expectativa do povo do Antigo Testamento, o messias é enviado. Assume a natureza humana ao nascer de uma mulher, torna-se pessoa sujeita a uma Lei. Qual lei? Aquela que nos privava da graça de Deus, que nos punia por causa do pecado, que nos impedia de entrarmos na salvação de Deus. Ele nos liberta e nos consagra filhos de seu Pai. Concede-nos a sua herança: morar eternamente com Ele na casa de seu Pai. Seu Espirito nos permite dizer: Abá, pai. Somos filhos do Pai dele agora, graças a Ele, a sua decisão de amor por nós: nascer como nós, de mulher, morrer como nós, fruto do pecado, ressuscitar como Ele para nós tornar divinos. Sim, somos herdeiros e tudo isso por graça de Deus, conclui São Paulo na segunda leitura.
O que nos resta fazer? Irmos ao seu encontro. Na terra de Jesus era costume visitar uma criança recém-nascida para oferecer-lhe presentes e congratulações como sinal de boas vindas na comunidade. Nossa presença hoje nesta missa quer ser sinal de nossa visita. Como os pastores, queremos ver o menino e compreender seus sinais. Seu principal sinal foi dito pelo anjo na noite de natal: “nasceu para vos um salvador que é o Cristo do Senhor”. Eis o grande sinal: na pequena criança o salvador. Aos poucos os primeiros e privilegiados convidados mergulham neste mistério. Hoje é nossa vez de olharmos mais um pouco para esta criança nascida de uma mulher. Daí também o título da missa de hoje: “Santa Mãe de Deus”. O que significa para nós chamar Maria de Mãe de Deus? A Igreja percorreu um longo caminho até chegar a esta afirmação. Durante esta caminhada muitos acabaram proclamando de forma errada a maternidade de Maria. A Igreja consertou o conceito na cidade de Éfeso quando os bispos com o Papa se reuniram para debater a questão. Maria é mãe de Deus porque seu Filho é Deus e Homem. Ela não é mãe apenas da natureza  humana de Jesus, ela é mãe de Jesus que é humano e divino sem separação. Por isso que ela se torna também mãe do homem uma vez que nossa humanidade foi assumida por Jesus. O nome Jesus significa “Deus salva”. Isto nos introduz de cheio no mistério de Cristo: da encarnação ao nascimento, à circuncisão até a realização pascal da morte e ressurreição, Jesus é em todo o seu ser a perfeita benção de Deus e dom de salvação e de paz para todos os homens. Em seu nome somos salvos. Ora, essa oferta de salvação vem por Maria e ela a apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina. É, por isso, mãe de cada homem que nasce para a vida de Deus, e mãe de todos. .
Os textos da missa de hoje dão sua ênfase em Jesus. Mais isto não esconde ou diminui a importância da mãe. Pelo contrário, Maria participa de forma ativa deste mistério de salvação. Ela recebeu o Dom de Deus não para guarda-lo para si, mas para oferecê-lo a humanidade.
Para nós, Maria torna-se mãe de Deus quando gera o Filho de Deus. E torna-se nossa mãe quando somos assumidos por Cristo como filhos adotivos de seu Pai, quando na cruz ele próprio confia sua mãe ao discípulo amado e confia o discípulo amado a sua mãe. Ora, nos tempo de hoje não somos nós esse discípulo amado? A segunda leitura de hoje confirma isto: filhos, e como filhos herdeiros das promessas de Cristo.
Queridos amigos, é hora de concluir mais um ano em nossas vidas. 2011 esta no seu fim, ficará na história de nossas vidas. Quantas lembranças? Boas e ruins, de tudo um pouco. O que mesmo importa? Nós vencemos!
Quantas pessoas boas deixaram o nosso convívio este ano por morte ou por mudanças? Quantos filhos e filhas desta Igreja foram para o céu festejar lá na festa que não tem fim? Trago cada um deles na minha memória e os coloco como intenção nesta missa. Principalmente aqueles que servirão por tanto tempo nesta Igreja.
Trago também aqueles que não podem está conosco aqui hoje por motivo de saúde, como nossa querida dona Lurdes em recuperação em Garanhuns. Uno-me a ela nesta noite em seu quarto de hospital. Sei que ela está rezando conosco. Dona Lourdes receba nossa oração e nosso abraço. Que susto! Quase que eu também estaria agora em um leito de hospital ou quem sabe no céu. Sou grato a Deus por mim deixar ficar mais um pouco. Sou grato a Dra. Solange, ao Aderson, enfermeiro, ao motorista da ambulância, ao Marcelo. Sou grato a cada um que rezou, se preocupou. Desculpe, não estava em meus planos deixa-los aflitos. Agradeço sua amizade e seu carinho. Foi apenas um susto, ainda estou aqui, só não sei até quando. Deixo isso para Deus decidir.
Obrigado a todos vocês queridos filhos desta Igreja por mais um ano juntos. Aos catequistas, coordenadores e membros de movimentos, coroinhas e acólitos, a todos, muito obrigado. Aos amigos, como seria sem graça viver nessa cidade sem vocês. Já teria ido embora. Perdoe-me se este ano não fui como vocês gostariam que eu fosse. Sei de minhas falhas, fraquezas, meus limites. Só não sou pior por causa de vocês. A quem feri, perdão. Às vezes o zelo exagerado pelo amor que sinto acaba prejudicando. Mais um dia eu aprendo. Agora, só me resta pedir perdão.
Que venha 2012. Ele já está bem ai, daqui a pouco chega. E também irá embora. Não importa. O que importa é que Cristo está sempre conosco. Por isso, podemos dizer que Ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. A Ele, Rei Imortal e Eterno, a honra e a glória pelos séculos dos séculos! Amém.

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